quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SÍMBOLO DE ROMA


A loba de Roma é 1800 anos mais nova

(PÚBLICO) 11.07.2008, Joana Caldeira Martinho

A famosa escultura não é etrusca, mas medieval, dizem os especialistas
Afinal, o símbolo da fundação da cidade de Roma não é assim tão antigo. Testes científicos revelaram que a Lupa Capitolina, a escultura em tamanho real que representa uma loba a amamentar os gémeos Rómulo e Remo (segundo a lenda, os fundadores da cidade), é cerca de 1800 anos mais nova do que se pensava.
A notícia de que a famosa estátua de bronze não foi feita na época etrusca (século V a.C.) como até agora se pensava, mas sim na época medieval, fez a primeira página do diário italiano La Repubblica. Segundo o jornal, os resultados dos testes efectuados garantem que a loba foi criada no século XIII.
De acordo com a BBC, os 20 testes de carbono 14 (método que permite saber a idade de um artefacto) foram feitos pela Universidade de Salerno. A investigação foi anunciada a 28 de Fevereiro de 2007 pelos responsáveis dos Museus Capitolinos, onde a escultura está exposta. Só a 31 de Outubro do mesmo ano se soube que os testes tinham sido efectuados, mas os resultados não foram revelados até anteontem.
O mito
Tal como o Coliseu, a loba é uma das marcas de Roma. Benito Mussolini adoptou a figura da Lupa Capitolina durante o regime fascista, por ser conotada com o imperialismo romano. É o símbolo do Roma, clube de futebol da cidade, e foi usada nos Jogos Olímpicos de 1960, realizados na capital italiana.
O mito conta como os gémeos Rómulo e Remo foram atirados ao rio Tibre e salvos por uma loba, que os criou. Mais tarde, Rómulo assassinou o irmão numa disputa pelo trono da nova cidade e tornou-se o primeiro rei de Roma.
A discussão sobre a origem da estátua remonta ao século XVIII e os especialistas sabiam já que as figuras de Rómulo e Remo tinham sido acrescentadas à escultura da loba, no Renascimento. As representações do mito abundavam na Roma antiga e, segundo relatos do filósofo romano Cícero, uma dessas estátuas teria sido atingida por um raio, no ano de 65 a.C., ficando com uma pata danificada, tal como a estátua actual, segundo o Guardian.
A atribuição da origem etrusca à estátua aconteceu no século XVIII e é da responsabilidade do historiador de arte alemão Johann Winckelmann, que se baseou nas características da representação do pêlo do animal, diz ainda o diário britânico. Mas muitos especialistas duvidaram desta tese, atribuindo as características da escultura à época medieval e afirmando que a pata danificada se devia a um defeito de fabrico, explica o La Repubblica.
Em 2006, Anna Maria Carruba, historiadora de arte que colaborou na restauração da estátua entre 1997 e 2000, afirmou que a loba tinha sido fundida como uma única peça, num molde de cera, uma técnica utilizada na Idade Média e desconhecida antes dessa época, de acordo com a BBC.

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