terça-feira, 30 de junho de 2009

UNESCO distingue a primeira cidade europeia nos trópicos


Cidade Velha de Cabo Verde é um dos 16 novos sítios Património da Humanidade. É uma estreia deste país africano de expressão portuguesa. Mas a intervenção arquitectónica aí em curso, de Siza Vieira e Helena Albuquerque, tem sido principalmente paga por espanhóis

A Cidade Velha de Cabo Verde é a única presença africana - e tem expressão portuguesa - na lista dos novos sítios classificados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), na 33.ª sessão do comité do Património da Humanidade que decorreu na última semana em Sevilha, Espanha, e que hoje termina.
A organização avaliou 27 candidaturas e aprovou 11 novos sítios culturais e dois naturais, além da extensão de três outros. Em contrapartida, excluiu o vale do Elba em Dresden, na Alemanha (classificado em 2004), por considerar que o projecto de construção de uma ponte rodoviária no centro da cidade contraria os requisitos da UNESCO. Simultaneamente, entraram agora para a lista do património em risco os monumentos de Mtskhata, na Geórgia, a rede de recifes de Belize e o parque nacional Los Katios, na Colômbia.
A Cidade Velha, na ilha de Santiago, foi fundada em 1462 pelos portugueses segundo "um plano de urbanização ocidental decorrente do modelo renascentista", diz Paulo Pereira, historiador de arte, e foi mesmo "a primeira cidade colonial construída pelos europeus nos trópicos", acrescenta a nota da UNESCO. Foi ainda um importante entreposto comercial e de tráfico de escravos, afirma Paulo Pereira.
A presente classificação (que vem acrescentar-se à recente votação como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo) veio trazer para a ordem do dia o estado do plano de recuperação patrimonial que para aí foi projectado pelos arquitectos Álvaro Siza Vieira e Helena Albuquerque, há uma década - e que foi tema do documentário, realizado por Catarina Alves Costa, O Arquitecto e a Cidade Velha (2004).
Helena Albuquerque, que viveu vários anos em Cabo Verde, diz-se satisfeita pelo significado que esta classificação tem para a população local. Mas - na ausência de Siza Vieira e falando apenas a título pessoal - lamenta que a intervenção e a cooperação portuguesas relativas ao plano arquitectónico e urbanístico "estejam paradas", e que os trabalhos até agora realizados tenham sido na sua maior parte "subsidiados pelos espanhóis", que aí quiseram preservar a acção desenvolvida no tempo dos Felipes. E cita, em particular, a construção da pousada e a recuperação da fortaleza e do Mosteiro de S. Francisco. "É uma enorme frustração ver que o Governo português não tenha dado sequência a esta intervenção", que Helena Albuquerque considera que seria "prioritária, e teria um custo reduzido", para a melhoria das condições de vida da comunidade local, que vai pouco além dos mil habitantes.
Um farol da humanidade
"O mundo diz-nos que sim, que o nosso farol é de toda a humanidade." A afirmação do alcaide socialista da Corunha, Javier Losada, ontem citada pelo El País, celebra a entrada na lista do mais antigo farol em todo o mundo ainda em actividade, conhecido como Torre de Hércules e ex libris desta cidade-porto da Galiza. É uma construção do século I, que faz da Espanha, agora com 40 sítios classificados, o segundo país mais citado na lista da UNESCO, logo a seguir a Itália.
A restante lista distingue mais nove complexos culturais e dois sítios naturais. Estes são o mar de Wadden, que banha a Alemanha e a Holanda e é um ecossistema temperado com uma multiplicidade de habitats naturais; e os montes Dolomitas, uma cadeia nos Alpes italianos que tem 18 picos com mais de 3000 metros de altitude.
Os sítios culturais são: o palácio Stoclet, em Bruxelas, um projecto de 1905 do arquitecto Josef Hoffmann, que foi construído para o banqueiro e coleccionador Adolphe Stoclet; as ruínas de Loropéni, no Burkina Faso, uma fortificação em pedra na região de Lóbi, na rota subsariana do ouro; o monte Wutai, no Norte da China, um complexo de mais de 50 mosteiros e que é uma dos lugares sagrados do budismo; o sistema hidráulico de Shushtar, no Irão, mandado construir por Dario, o Grande (séculos V e IV a.C.), uma rede de canais no rio Kârun, um dos quais ainda fornece água à cidade de Shushtar; a montanha sagrada de Sulamain-Too, no Quirguistão, no cruzamento da rota da seda na Ásia Central; a cidade sagrada de Caral-Supe, no Peru, um sítio arqueológico com 5000 anos que é a mais antiga cidade do género nas Américas; os túmulos reais da dinastia Joseon, na Coreia do Sul, um complexo de 40 sepulturas construídas em 18 sítios diferentes; a ponte-canal e o canal de Pontcysyllte, no Nordeste do País de Gales, construídos no século XIX, com uma extensão de 18 quilómetros e que é a expressão do génio civil da Revolução Industrial; e La Chaux-de-Fonds/Le Locle, duas cidades vizinhas nos montes do Jura, na Suíça, urbanizações do século XIX planificadas com o objectivo da servir a indústria relojoeira.

in (PÚBLICO) 30.06.2009, Sérgio C. Andrade

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Na Índia, Marrocos, Cabo Verde, Macau e Brasil moram as 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo

Costuma dizer-se que a primeira globalização foi a portuguesa e essa universalidade está bem patente nos monumentos anunciados ontem à noite, numa gala em Portimão, como as 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Fortaleza de Diu (Índia), Fortaleza de Mazagão (Marrocos), Basílica do Bom Jesus de Goa (Índia), Cidade Velha de Santiago (Cabo Verde), Igreja de São Paulo (Macau), Convento de São Francisco de Assis da Penitência (Ouro Preto, Brasil) e Convento de São Francisco e Ordem Terceira (Salvador da Baía, Brasil) foram as eleitas, em representação dos três continentes - América, África e Ásia - que fizeram a história da expansão marítima portuguesa. Na votação participaram 239.418 pessoas, que puderam votar pela Internet, telefone e SMS.O critério adoptado na identificação dos monumentos a concurso - 27 em 16 diferentes países - consistia no seu valor histórico e patrimonial. Cerca de duas mil pessoas assistiram ontem à declaração oficial dos vencedores, na Arena de Portimão, entre elas o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, em representação do Governo português. Na gala actuaram vários nomes da música como Daniela Mercury, Maria João, Boss AC, Paulo Gonzo, Ricardo Ribeiro e Rabih Abou-Khali, Rui Veloso e Tito Paris. Relevar a presença de Portugal no mundo e projectar uma ideia cosmopolita do país eram, segundo a organização da New 7 Wonders, os objectivos da cerimónia. No final do espectáculo foi anunciada a realização de mais uma iniciativa do género, as 7 Maravilhas Naturais de Portugal, cuja declaração oficial será em 2010, nos Açores.As 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo foram criadas no contexto da declaração oficial das Novas 7 Maravilhas do Mundo, que aconteceu em Lisboa há dois anos. Nessa altura, em paralelo, foi organizada a eleição das 7 Maravilhas de Portugal, numa votação que envolveu cerca de 350 mil portugueses. Dos 21 monumentos que foram a votação, os escolhidos foram o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio da Pena, o Mosteiro da Batalha, o Castelo de Óbidos, a Torre de Belém e o Castelo de Guimarães. 239 mil Na votação participaram 239.418 pessoas. Agora seguem--se, em 2010, as 7 Maravilhas Naturais de Portugal
in PÚBLICO 11.06.2009, Vítor Belanciano

Monumento em Ponte de Lima evoca lenda do Lethes

No dia em que Ponte de Lima revive a secular tradição da Vaca das Cordas, a câmara municipal inaugura, em ambas as margens do rio Lima, mesmo em frente à vila, um conjunto escultórico, evocativo da lenda do rio Lethes, rio do Esquecimento. As estátuas, com assinatura dos artistas plásticos Salvador Viera e Mário Rocha, pretendem perpetuar a passagem do general romano Decius Junius Brutus, e das suas tropas, por Ponte de Lima, no ano 135 a.C.
O episódio chegou aos nossos dias pelas palavras, por exemplo, de Almada Negreiros: "Comandadas por Decius Junius Brutus, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima no ano 135 a.C. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Lethes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse. Os soldados negaram-se a atravessá-lo. Então, o comandante passou e, da outra margem, chamou a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do Esquecimento." O monumento que reproduz a figura do comandante romano vai ficar instalado na margem direita do Lima,e o dos soldados no areal da margem esquerda. Ambos são em ferro e granito, e maiores do que o tamanho real.
in (PÚBLICO) 10.06.2009, Andrea Cruz

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Sete Maravilhas criticado por escamotear esclavagismo

(PÚBLICO) 03.06.2009, Sérgio C. Andrade

A uma semana da cerimónia de anúncio dos sítios vencedores e a quatro dias do fim da votação, o concurso 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo continua a gerar controvérsia. Ela surgiu agora na Internet, através de uma subscrição lançada por historiadores de várias universidades espalhadas pelo mundo, que contestam o facto de a informação associada aos sítios citados escamotear o papel histórico de Portugal na exploração do trabalho escravo. "Para ser fiel à história e moralmente responsável, consideramos que a inclusão desses 'monumentos' no dito concurso deveria ser acompanhada de informações completas sobre o papel deles no tráfico atlântico", diz o documento, que tem versões em português, francês e inglês.Entre os mais de 400 subscritores estão professores de universidades norte-americanas, do Canadá, Brasil e França, além da Universidade Nova de Lisboa. E estão os historiadores portugueses António Hespanha, que presidiu à Comissão dos Descobrimentos, Boaventura Sousa Santos, do Centro de Documentação 25 de Abril, e Miguel Portas, eurodeputado do Bloco de Esquerda.Dos 27 sítios e monumentos distribuídos por 16 países e três continentes colocados a votação, os subscritores referem especificamente a fortaleza de S. Jorge da Mina (Gana), a Cidade Velha na ilha de Santiago (Cabo Verde) e a Ilha de Moçambique, como lugares historicamente associados ao tráfego de escravos. E lembram que Portugal e, depois, o Brasil foram "responsáveis por quase metade dos 12 milhões de cativos transportados através do Atlântico". Lamentam, por isso, que o Governo português e instituições como a Universidade de Coimbra patrocinem esta iniciativa sem cuidar "da dor daqueles que tiveram antepassados seus deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos".O historiador Pedro Dias, da Universidade de Coimbra, responsável científico pela escolha dos sítios, responde que os textos sobre cada um deles dizem apenas respeito "à sua dimensão histórico-artística". "Praticamente, e até ao século XIX, houve comércio de escravos em todos esses sítios", nota o ex-director da Torre do Tombo. "Mas isso não é relevante para o concurso", que tem essencialmente uma dimensão "estética e lúdica", defende Pedro Dias, recusando estar a esconder essa vertente, que marcou não só a história portuguesa, mas a de toda a humanidade.
Pedro Dias, responsável pela escolha dos sítios a concurso, diz que este tem uma vocação mais estética do que histórica

domingo, 31 de maio de 2009

PORTUGAL NO GOLFO HÁ 500 ANOS


Portugueses e persas 500 anos de fascínio
(PÚBLICO) 20.06.2008, Margarida Santos Lopes
Em 1507, Portugal chegou à Pérsia quando os safávidas impunham a religião xiita que domina o actual Irão. Até 1622, competiram como ideologias rivais pelo controlo de Ormuz. Olharam--se com desconfiança e fascinação. Mudaram a Eurásia e celebram agora 500 anos de relações
Ao olhar para uma representação da Pérsia e de Ormuz, num atlas de Teixeira de Albernaz do século XVII, que abre a exposição dos 500 anos de relações entre Portugal e o Irão, na Torre do Tombo, em Lisboa, o em-baixador Rasool Mohajer deixou-se maravilhar. Afinal, a imagem moderna do golfo por onde hoje passa 20 a 25 por cento do petróleo que o mundo consome deve muito a essa primeira cartografia.
Vindo de um país onde muitos documentos históricos se perderam devido a invasões, pilhagens ou desastres naturais, o diplomata recém-chegado a Lisboa ouviu atentamente a descrição empolgada que o comissário científico João Teles e Cunha ia fazendo de algumas das 42 peças expostas – mapas, cartas, crónicas, tratados, contratos, discursos.
Minutos antes, ao inaugurar a exposição (quatro vezes adiada), Mohajer já havia enaltecido a "ambição e a coragem dos portugueses que, para controlar os mares, percorreram oceanos e continentes, em barcos artesanais, descobrindo países antes desconhecidos". Realçou o simbolismo de "o primeiro embaixador estrangeiro na Pérsia" (em 1513) ter sido um português e de os portugueses terem chegado à região no momento em que os safávidas unificavam o país com uma religião única – o islão xiita duodecimal (que crê em 12 imãs ou líderes espirituais).
É esse islão xiita que impediu o embaixador de apertar a mão à secretária de Estado da Cultura e às outras mulheres (por serem estranhas e não familiares) presentes na exposição, embora os safávidas da corte do Xá Ismael fossem muito mais liberais do que os actuais iranianos. "Até bebiam vinho, o que escandalizou os portugueses", quando chegaram em 1507, diz-nos João Teles e Cunha.
Relações tensas
Se causou choque, também encantou, porque João de Barros, o cronista do império marítimo lusitano, que ordenou a tradução do primeiro texto literário persa para uma língua europeia (o português), se deixou deslumbrar por uma doutrina muito mais parecida com o cristianismo (crença numa divindade oculta) do que com o islão sunita.
"O xiismo só começa verdadeiramente a ser conhecido em 1503-1504", explica ao P2, por e-mail, Dejanirah Couto, a historiadora portuguesa que herdou, na École Pratique des Hautes Études, de Paris, a cátedra de Jean Aubin, provavelmente o maior estudioso do Golfo Pérsico, que morreu em 1998. "Os costumes sociais não eram os mesmos [dos mais conhecidos muçulmanos do Norte de África] – os persas do Xá Ismael da altura tinha uma cultura de herança chamanista/turcomana/nómada/das estepes da Ásia Central desconhecida dos portugueses."
Assim, quando Afonso de Albuquerque chegou com a sua armada em 1507 e depois em 1515, portugueses e persas olharam-se "com desconfiança, mas também fascinação", acrescenta Dejanirah Couto, autora com Rui Manuel Loureiro de Revisiting Hormuz: Portuguese Interactions in the Persian Gulf Region in the Early Modern Period. "O lado 'belicoso' dos portugueses era apreciado na Pérsia [sobretudo a técnica, armas e navios dos farang ou infiéis, "povo de ladrões que vivia no mar"]. O poder e a riqueza do Xá também impressionavam os portugueses."
No entanto, as relações eram "tensas", acrescenta. "Ormuz pagava um tributo aos persas (ao Xá Ismael desde 1504) e Albuquerque pretendeu confiscar em seu favor esse tributo. Os persas nunca apreciaram, e só não invadiram Ormuz porque havia uma longa tradição de independência do reino (e além disso o Xá estava ocupado com os otomanos)."
A aliança com os safávidas é atribuída por Teles e Cunha à necessidade de os portugueses "neutralizarem os mamelucos do Egipto, que dominavam o Norte do Iraque, Síria e Líbano (...), e bloquearem todas as rotas alternativas das especiarias". Dejanirah Couto acentua que os portugueses "queriam salvaguardar os domínios da Índia ameaçados pelo sultanato de Bijapur", xiita e aliado dos persas. "Fazendo aliança com os persas, salvaguardava-se a Índia (sobretudo Goa)."
Teles e Cunha destacou um pacto que Albuquerque e Ismael fizeram, caso derrotassem os mamelucos: o rei D. Manuel ficaria com Jerusalém e o xeque persa com Meca e Medina – ambos concretizariam "sonhos messiânicos de conquista mundial, com o objectivo de salvação e redenção, a fim de instaurar um governo justo". Dejanirah Couto confirma, mas ironiza: "Era um bluff de Albuquerque, apoiado nas ideias messiânicas de D. Manuel. Nem o Xá nem Albuquerque tinham forças para atacar Meca. Nesse bluff, Albuquerque até 'vendeu' o Gujarat ao Xá que, no entanto, não lhe pertencia. Era uma maneira de negociar politicamente."
Mas que impacto teria uma eventual vitória? "Ah! Teria desestruturado o 'bloco islâmico' com consequências incalculáveis para o Império Otomano que conquista o Egipto em 1517."
Albuquerque e Ismael
A exposição na Torre do Tombo centra-se sobretudo em objectos políticos e o seu comissário científico destaca que as relações entre um "império marítimo" (Portugal) e uma "potência terrestre orgulhosa da sua tradição cultural milenar" (Pérsia) foram sobretudo políticas. Dejanirah Couto corrobora, dizendo que "os primeiros contactos artísticos, pelo menos para a primeira metade do século XVI, foram poucos". Porque os portugueses "estão confinados a Ormuz, têm pouco contacto com a Pérsia continental".
"O contencioso político, e também económico, a propósito de Ormuz, e a questão da rivalidade, a propósito da Índia, dificultaram uma maior cooperação cultural, artística, literária e linguística", adianta. "A Índia está sempre presente em filigrana; a tensão só vai diminuindo no final do século XVI, mas acende-se de novo com o Xá Abbas (que não renunciou a Ormuz)." O rei que subiu ao poder aos 16 anos e se proclamava "sombra de Deus na Terra" expulsou os portugueses, em 1622.
Para Dejanirah Couto, "sem dúvida que Albuquerque e o Xá Ismael" são as figuras mais determinantes do período em que os portugueses - testemunhas da ascensão e declínio dos safávidas - permaneceram no Golfo. "É um grande duelo de negociação diplomática, embora por intermédio de personagens da corte persa, muito importantes para a gestão do reino, como Mirza Xá Hossein Esfahani. E mais tarde, com Rui Freire de Andrade/Xá Abbas, o duelo é quase o mesmo a um século de distância: ou seja, também para Abbas, em 1608 e em 1613, era importante o pagamento do tributo."
Hoje, o conhecimento mútuo é desequilibrado. Diz Dejanirah Couto: "O problema é a falta de especialistas em Portugal que dominem as línguas da região", sobretudo o árabe, o farsi e o turco. Ao resumir os préstimos nas respectivas línguas, o comissário Teles e Cunha lamenta: só umas 13 palavras portuguesas coexistem com o farsi (língua franca que influenciou mais o português). Exemplos: "tabáku" (tabaco), "ânânâs" (ananás), "miz" (mesa) e talvez "arghanun" (órgão), que os persas desconheciam antes de Albuquerque chegar.
500 Anos das relações entre Portugal e o Irão
Lisboa Torre do Tombo. Todos os dias excepto domingos e feriados, das 10h00 às 19h30. Sáb., das 10h00 às 12h00. Até 11 de Julho

quarta-feira, 29 de abril de 2009

ABELTERIUM - ALTER DO CHÃO

Também o jornal PÚBLICO noticiou a descoberta do mosaico de Abelterium (Alter do Chão), mosaico que apresenta características especiais, dedicando-lhe um trabalho de desenvolvimento dias depois no PÚBLICO2. Sobretudo este último texto é longo mas deixa de ser interessante e curioso.

Arqueologia

Descoberto em Alter do Chão mosaico romano único na península

(PÚBLICO) 02.02.2009
As escavações arqueológicas na antiga cidade romana de Abelterium, próximo de Alter do Chão, Portalegre, trouxeram à luz do dia uma peça que, dizem os peritos, será única na Península Ibérica. Trata-se de um mosaico de grandes dimensões, datado do século IV, e que se encontrava no triclínio de uma casa que estava a ser escavada e que pertenceria a um aristocrata ou político, conforme explicou o arqueólogo Jorge António. A peça em causa, concebida em pasta vítrea de tons azuis, verdes e bordeaux, é uma representação homérica, da Ilíada, e tem no centro a figura de Medusa. A zona das escavações, também conhecida por Estação Arqueológica de Ferragial d'El Rei, deverá ser aberta ao público no dia 21 de Maio. Até lá irão continuar a decorrer trabalhos que poderão revelar novos achados. A intenção da autarquia, de acordo com o presidente Joviano Vitorino, é a de que a cidade romana de Abelterium possa vir a ser declarada como Património Nacional, valorizando um concelho rico em vestígios arqueológicos de diferentes eras.




César, Virgílio, Joviano, António e o mosaico mais belo do império

(PÚBLICO/Público 2) 16.02.2009 Paulo Moura (texto) e João Henriques (fotos)

Um mosaico romano de características únicas foi encontrado em Alter do Chão. É do século IV e representa o último canto da Eneida. Em ano eleitoral, a obra de Virgílio poderá fazer pelo presidente da câmara, Joviano Vitorino, o que, há dois mil anos, fez pelo imperador César Augusto. Vai poder ser visto a partir de 21 de Maio.
Eneias com o seu penacho característico, quebrado por ter sido atingido por uma lança. Dos dois lados da composição, frente a frente, guerreiros gregos e frígios. Entre as duas hostes, um medalhão com a figura da Medusa. Ao centro, prostrado aos pés de Eneias, o rei Turno implora pela sua vida.
Caio Júlio César Otaviano Augusto, em Roma, à semelhança de Joviano Vitorino, em Alter do Chão, precisava de consolidar o seu poder. A república tinha-se transformado em império, em 23 a.C., e, para o manter unido e submisso, era importante criar uma mitologia, uma epopeia e uma crença na natureza divina do poder imperial.
César chamou um poeta com provas dadas, Virgílio. Ou melhor: pediu a um amigo, também seu conselheiro e agente diplomático, muito rico e que gostava de apoiar as artes, um mecenas, que falasse com Virgílio. O mecenas que, não por acaso, se chamava Mecenas, pagou ao poeta para escrever uma obra melhor do que a Ilíada e a Odisseia juntas. No ano 19 a.C., o mesmo em que morreu, Virgílio compôs então a Eneida, um poema épico em 12 cantos que começa, mil anos depois, onde a Ilíada termina – a queda da cidade de Tróia.
Os primeiros seis cantos da Eneida, aliás, emulam a Odisseia, em termos de enredo e também na forma, enquanto a primeira parte da obra imita a Ilíada. Tudo junto, garantia Virgílio, superava a obra de Homero. Mas não a ignorava. Através de um sistema de referências a que os literatos chamam intertextualidade, alimentava-se dela. São comuns algumas personagens, bem como locais e eventos, para que ao leitor que conheça a Ilíada e a Odisseia esteja acessível uma fruição superior da própria Eneida.
Ao contrário do que se passa na Odisseia, protagonizada por um grego (Ulisses), o herói da obra de Virgílio é Eneias, um troiano que, a pedido da sua ilustre mãe, foge, após a destruição da cidade pelos gregos, com o objectivo de erguer uma nova cidade, uma nova Tróia, que será Roma. Eneias era um rapaz de boas famílias: o pai era Anquises, um príncipe troiano, mas a mãe era nada menos do que a deusa Vénus, que tivera com o mortal Anquises uma aventura extraconjugal. Também estava muito bem relacionado: o seu escudo foi construído por Vulcano, marido de Vénus e deus do fogo (à semelhança do que acontece com o escudo de Aquiles, na Ilíada), frequentava a casa de Plutão, o guardião dos Infernos, e aconselhava-se regularmente com Júpiter, o deus dos deuses.
Após muitas peripécias, guiado por um oráculo, Eneias chega à Itália. Aí, tem de combater o rei dos rútulos, Turno, a quem tinha sido prometida a mão de Lavínia, filha de outro líder local, Latino, rei dos latinos. Mas um oráculo aconselhara Latino a aceitar como genro um guerreiro estrangeiro. Eneias conta então com a ajuda de Latino e, protegido com o escudo forjado por Vulcano (onde estão gravados todos os acontecimentos da futura História de Roma), e aconselhado por um génio do rio Tibre, vence, numa luta corpo a corpo, o rei Turno. Tombado no chão, este implora pela sua vida, mas Eneias, após um momento de hesitação, trespassa-o com a espada. Desposa Lavínia, e o seu filho Ascânio, neto de Anquises e Vénus, será o avô dos futuros reis de Roma, que assim vêem garantida uma linhagem divina e uma História mítica, ligada aos gregos e aos povos da Itália. Virgílio cumpriu a sua missão, o imperador César Augusto ficou satisfeito.


A Casa da Medusa


Jorge António encontrou primeiro a cabeça de uma estátua de mármore representando uma rapariga. O penteado, em longas tranças puxadas para trás e apanhadas em rabo de cavalo, denuncia a moda da sua época. Basta averiguar quando se usava aquele visual feminino, e saberemos a que período pertence a estátua. Foi isto que pensou Jorge António, que é natural de Faro e arqueólogo da Câmara Municipal de Alter do Chão.
Uma coisa era certa: a presença da escultura era sinal da existência de uma casa muito rica, uma verdadeira domus. Até agora, já tinha sido descoberta a base de uma outra estátua, de Apolo, perto de uma zona de balneários termais, daquela que terá sido uma importante cidade romana e está hoje soterrada sob a vila alentejana de Alter do Chão. A cidade chamava-se Abelterium e começou a ser escavada em 1954. A estação arqueológica desenvolveu-se na área entre o campo de futebol, uns terrenos pertencentes à coudelaria, e o pavilhão desportivo que viria a ser construído. Tornou-se perfeitamente visível a zona do hipocausto, onde o ar aquecido por uma fornalha de lenha circulava por baixo do chão, a do frigidário, onde corria água fria, a zona de massagens e a latrina comunitária. No decorrer das escavações, surgiria também a necrópole, onde, a julgar pelo luxo dos objectos depositados junto a cada corpo, estariam sepultados os elementos da elite da sociedade romana da época. Tudo levava a crer, portanto, estar-se na presença de uma grande cidade – uma civitas, e não um simples vicus (povoado).
Jorge António, 38 anos, trabalha há oito na Câmara de Alter do Chão. Concluíra a licenciatura em História e Arqueologia na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa e estava desempregado. Enviou um currículo para a Câmara de Alter e conseguiu o lugar. Logo nesse ano de 2001, elaborou um projecto para a Estação Arqueológica de Ferragial d'El Rei, que só viria a ser aprovado em 2004. Foi nessa altura, com alguns apoios financeiros, que se iniciaram os trabalhos.
No seu Gabinete de Arqueologia, instalado em duas salas do edifício do Cineteatro de Alter do Chão, Jorge armazena, organiza e estuda os achados dos últimos anos, distribuídos por caixas rotuladas - "Fragmentos de estuque", "Elementos de adorno", "Cerâmica comum", "Moeda", "Vidro", "Aplicações para mobiliário", "Têxteis", "Lazer", "Iluminação doméstica"... Sobre uma mesa, o esqueleto quase completo de um homem, sepultado há cerca de 1500 anos. Tinha 1m e 62 cm de altura, entre 40 e 49 anos à data da morte, e era rico. É o que se sabe sobre ele.
Com estes elementos, e mais alguns fragmentos de estátuas, de frescos, de paredes, Jorge António ia imaginando a cidade que existiu naquele lugar, e que, a julgar pelos vestígios, nunca foi propriamente abandonada, até hoje. Terá havido uma continuidade de ocupação, desde as povoações pré-romanas, as visigóticas, árabes, cristãs, até ao castelo, construído em 1349 por D. Pedro, e à actual vila de Alter do Chão.
Mas foi há um ano e meio que fez a grande descoberta.


O mosaico


Perto do local onde encontrara a cabeça feminina, em mármore, viu surgir a figura de Eneias, composta em minúsculas tesselas de calcário colorido e outras de pasta vítrea, azuis, verdes e amarelas. Foi alargando a área exposta e trouxe à luz o imenso mosaico, de 53 metros quadrados, constituído por uma moldura geométrica e uma zona figurativa de inédito esplendor. Eneias, com o seu penacho característico, quebrado por ter sido atingido por uma lança. Dos dois lados do painel, frente a frente, guerreiros gregos e frígios, definidos pelos respectivos capacetes. Entre as duas hostes, um medalhão com a figura da Medusa. Ao centro do painel, prostrado aos pés de Eneias, o rei Turno, implorando pela sua vida. Em baixo, à direita, a figura de Vulcano, cuspindo fogo, e à esquerda a do génio do Tibre, de cujo jarro verte a água do rio, representada em tesselas de pasta vítrea azul e verde.
"A cena representa o último canto da Eneida", explica ao P2 Teresa Caetano, investigadora do Instituto de História da Arte da Universidade Nova de Lisboa e da Associação de Investigação e Estudo do Mosaico Antigo e da Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação do Mosaico Antigo. "Turno está a pedir a Eneias que lhe salve a vida", diz a especialista, que já está a estudar o achado de Alter do Chão. "Há o deus Tibre, representado por um génio do rio, apoiado num vaso que deita água. Do outro lado está Vulcano, amigo da mãe de Eneias, que era Vénus, secando o rio, afrontando o génio do Tibre..."
Teresa Caetano nunca tinha visto um mosaico como este. Não há, no país, nem na península, nem talvez no mundo, mais nenhum desta qualidade e neste estado de conservação. O estudo, que vai durar, pelo menos, até ao final deste ano, ainda está no início. Mas já é possível tirar algumas conclusões: o mosaico é do século IV, do império romano tardio, e pertencia a uma casa muito rica. Naquela altura, como reacção ao cristianismo que alastrava, tornaram-se moda, entre os romanos não-cristãos, os mosaicos com motivos da Ilíada, Odisseia ou Eneida. Os homens ricos e influentes do mundo romano faziam questão de ostentar uma profunda cultura clássica, e uma ligação aos valores pagãos, que consideravam superiores aos do cristianismo. Era uma demonstração de status e poder.
Nada se sabe sobre o homem que mandou construir o mosaico de Abelterium, excepto que era muito rico e culto e que teria uma grande importância na cidade. O mosaico terá custado uma fortuna. Não foi feito, decerto, por um artista da região, porque não havia na península, que se saiba, uma escola com tal mestria. Mas sobre isto há várias teorias. Jorge António fala de artistas itinerantes que iam de casa em casa, com um catálogo de imagens. Teresa Caetano imagina uma espécie de "multinacional" da arte do mosaico, que teria "sucursais" em vários pontos do império. As próprias tesselas, que alguns historiadores pensavam serem feitas com materiais de cada local, parece afinal que eram produzidas numa mesma "fábrica", e transportadas de barco para as várias regiões. Os despojos de um navio, carregado de tesselas coloridas, naufragado ao largo das Berlengas, vieram confirmar esta teoria.
A maior parte dos mosaicos eram feitos por artesãos, que copiavam as imagens concebidas pelos "designers" da "multinacional", com ligeiras adaptações. Não terá sido o caso do painel de Alter do Chão. "A riqueza de pormenores, as sombras, a musculação, a própria técnica da perspectiva" denunciam a presença de um artista. Um verdadeiro pictor imaginarius, que terá vindo expressamente de Emerita Augusta (Mérida), capital da Lusitânia, ou mesmo de Roma, para produzir a obra na casa do magnata de Abelterium. Era um mestre, que se faria pagar a peso de ouro, mas terá desenhado o que o seu cliente pediu, como era normal na época. Mais ou menos pasta vítrea, para os detalhes dos olhos, a água ou o fogo, mais uma cena mitológica, mais uma personagem, tudo isto era decidido por artista e cliente, numa discussão erudita de quem dominava os clássicos.
Jorge António não duvida de que o proprietário da sua Casa da Medusa, como baptizou a domus do mosaico, era um homem culto. Entre as várias divisões que descobriu, conta-se um escritório (tablinum), o que mostra tratar-se de um intelectual. Desta divisão sai um corredor que liga aos quartos, ao peristilo - o jardim interior – e ao triclinium, ou sala de jantar, coberto pelo mosaico da Eneida.
"A casa deveria ter pelo menos o dobro do tamanho do que está à vista e, provavelmente, um segundo andar", explica Jorge António. "Era aqui que o dono recebia os seus convidados para jantar", continua, caminhando sobre o mosaico. "Ao centro ficava a mesa e aqui, à volta, os sofás, onde as pessoas se deitavam, como é descrito no Banquete de Trimalquião, de Satiricon", prossegue o arqueólogo municipal, que considera "urgente" continuar as escavações, e preservar os tesouros encontrados, não obstante a descoberta do mosaico ter ocorrido há um ano e meio e só agora ter sido divulgada. "Era um homem muito importante. Um aristocrata, um sacerdote. Talvez um político."


A epopeia de Joviano


Está a chover. A água infiltra-se nos interstícios das tesselas, fazendo-as saltar dos seus lugares. Joviano Vitorino, 50 anos, lembra-se de vir para aqui brincar, quando era miúdo. A escola que frequentava, na aldeia da Cunheira, tinha 80 alunos. Hoje, não tem nenhum, e fechou. "Lembro-me de vir a Alter, de fatinho, fazer o exame da 4.ª classe, em 1968. Brincávamos sobre as ruínas, levávamos pedras para casa." Alter do Chão tinha na altura dez mil habitantes. Hoje, tem quatro mil. "O poder central tem de começar a olhar para o interior do país de forma diferente", diz Joviano Vitorino, que é hoje presidente da Câmara de Alter do Chão, eleito pelo PSD. "A nossa riqueza arqueológica tem um potencial enorme, e a descoberta deste mosaico veio trazer outra dinâmica ao nosso projecto."
O projecto, a epopeia de Joviano Vitorino, é classificar Abelterium como Monumento Nacional, criar o Centro Interpretativo da Estação Arqueológica, no 1.º andar do Cineteatro, o Clube do Património, para trazer estudantes à estação, um núcleo museológico, o Corredor do Tempo, para as crianças, e uma cobertura especial para o mosaico da Casa da Medusa. Parte deste equipamento vai ser inaugurado no próximo dia 21 de Maio. Haverá também merchandizing – t-shirts, bonés, posters com réplicas do mosaico – e ainda uma piscina descoberta, um pavilhão desportivo e um estádio.
"Tudo isto atrairá turistas e criará empregos na região", explica o autarca, que espera obter fundos governamentais para o projecto. "Precisamos de milhares de euros, e vamos passar a bola da responsabilidade."
Um grupo de dissidentes do PSD tem sido muito crítico das acções de Joviano, e ameaçou desafiá-lo, nas eleições autárquicas deste ano, talvez apoiando o candidato do PS. Mas Joviano tem agora um trunfo que crê ser imbatível: o mosaico. O timing é perfeito.
"Vai ser inaugurada a IC13, que liga Portalegre a Alcochete. Ficaremos a uma hora e meia de Lisboa", diz Joviano Vitorino. Não há razão para que o mosaico seja levado para um museu da capital. "Não deixo que ele saia. Isto tem uma importância arqueológica enorme", diz o autarca, que entretanto se tornou especialista em cultura clássica. "Só por cima do meu cadáver."

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mosaico romano - Alter do Chão

Primeira informação da descoberta no JN:

Descoberto mosaico romano do século IV
JN – 2009.Fev.02 / 00h15m HUGO TEIXEIRA *
Um mosaico romano, de grandes dimensões e "único" na Península Ibérica, foi descoberto durante os trabalhos de arqueologia que decorrem na cidade romana de Abelterium, em Alter do Chão, revelou o arqueólogo responsável.
Em declarações à agência Lusa, Jorge António, arqueólogo na Câmara Municipal de Alter do Chão, considerou o mosaico "único na Península Ibérica" e garantiu que a descoberta se reveste de "extraordinária importância".
Esta peça arqueológica, que remonta ao século IV, foi encontrada há cerca de um ano, mas só agora foi divulgada, mantendo-se durante todo este tempo no "segredos dos deuses".
O mosaico foi achado na sequência das escavações efectuadas às termas públicas da cidade romana de Abelterium, também denominada de Estação Arqueológica de Ferragial d'El Rei, naquele concelho do Norte Alentejano.
"À medida que os trabalhos decorriam nas termas da cidade romana, a equipa de arqueólogos descobriu uma casa de um "aristocrata ou político".
"Nós identificámos o mosaico no triclínio da casa", disse o especialista, garantindo que era nesse espaço, onde está inserida a peça de grandes dimensões, que o proprietário recebia "as suas visitas".
"É um mosaico figurativo, onde surge a figura da Medusa como figura central. O mosaico é uma representação homérica, da Ilíada [poema épico grego atribuído a Homero], mas ainda existe pela frente um grande trabalho de fundo para conhecer melhor esta peça", salientou o arqueólogo.
Jorge António revelou ainda que o mosaico possui "pasta vítrea em tons de azul, verde e bordeaux". "Este mosaico vai trazer, no futuro, vários visitantes a Alter do Chão", assegurou o arqueólogo.
Já o presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Joviano Vitorino, afiançou à Lusa que pretende ver aquela peça, assim como toda a cidade romana de Abelterium classificada como "Património Nacional".
Alter do Chão tem "um grande passado romano e vamos efectuar todas os esforços necessários para tornar este espaço Património Nacional", defendeu.
De acordo com Joviano Vitorino, a cidade romana "é mais um pólo de atracção" para que os turistas visitem aquela vila alentejana.
As ruínas da antiga cidade romana, onde vão continuar a ser realizadas escavações arqueológicas, porque "muito há ainda por descobrir", segundo o arqueólogo Jorge António. Vão ser abertas ao público a partir de 21 de Maio, dia do Município de Alter do Chão.

* Jornalista da Agência Lusa