terça-feira, 13 de outubro de 2009

TGV em causa (?)

Agora que as campanhas eleitorais ficaram para trás, vamos «interpretar» o iberismo de alguns, o isolacionismo de outros e as dúvidas de muitos...

A vingança de Manuela Ferreira Leite (Comentário)
(PÚBLICO) 2009.Set.15 | Carlos Cipriano
No princípio, o reino de Portugal começou por construir o caminho-de-ferro de Lisboa a Elvas, numa linha onde algures num ponto chamado Entroncamento partiria um ramal para o Porto. E assim foi. O comboio chegou primeiro a Badajoz em 1863, mas de Lisboa ao Porto só viria a haver comboios directos em 1877 com a inauguração da Ponte de Maria Pia.
A prioridade foi sempre a de ligar os portos a Espanha e por isso tudo se fez para romper as linhas em direcção à fronteira. Enquanto a Linha do Norte foi construída aos soluços, a da Beira Alta (1882), que ligaria Figueira da Foz a Vilar Formoso, foi feita em quatro anos (um tempo recorde para a época) e pôs o Porto em polvorosa a clamar por uma linha directa a Espanha pelo vale do Douro. Fez-se então a linha do Porto a Barca de Alva (1887), após um investimento brutal que levaria a praça financeira da Invicta à falência, ficando os seus bancos impedidos de cunhar moeda - um caso que ficou para a História como a "Salamancada".
Mais a sul, em 1880 era inaugurado o ramal de Cáceres (Torre das Vargens a Beirã/Marvão) que constituía um bom atalho para Madrid. O objectivo era chegar aos fosfatos da zona de Cáceres, que seriam escoados para o Porto de Lisboa, mas a nova linha revelou-se outro fiasco porque o filão esgotou rapidamente. Além das amortizações de um investimento inútil, a Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro assumiu então encargos que a obrigaram a pagar as obras de conservação da estação madrilena de Delícias.
Enquanto isto, Espanha construía um eixo ferroviário desde Vigo até Ayamonte que contornava a fronteira portuguesa. Era a "cintura de ferro", como ficou conhecida. De resto, em Badajoz e em Vilar Formoso, durante vários anos, havia linha desde Lisboa, mas não havia continuação para Madrid porque os espanhóis tardaram em ligar-se às fronteiras.
Portugal construiu, pois, a sua rede ao sabor dos interesses espanhóis. E também foram eles os primeiros a fechar as poucas ligações à fronteira quando nos finais do século XX se tornou moda encerrar linhas de caminho-de-ferro: desmantelaram a linha de Huelva a Ayamonte e foram os primeiros a fechar La Fregeneda quando o comboio ainda apitava em Barca de Alva.
Mais recentemente, em 1998, a Refer inaugura a electrificação da Linha da Beira Alta até Vilar Formoso. Mas a Espanha, apesar dos compromissos assumidos na cimeira da Figueira da Foz em 2003 e de já ter um projecto terminado, nunca avançou com as obras de electrificação até à fronteira lusa.
E quando nos alvores do século XXI se começa a falar no TGV, Portugal começou por querer fazer uma linha Lisboa-Porto-Madrid (T deitado) para se opor ao centralismo do país vizinho. Mas acabaria por se conformar com uma linha directa de Lisboa a Madrid. Com prioridade para a primeira, claro. Tal como no século XIX.
Ferreira Leite, se for eleita, diz que não senhor. Explica que as motivações são financeiras. Mas sabe-se lá se não quererá acertar contas com a História.

Arqueólogos encontram novo Stonehenge

Arqueólogos acreditam ter encontrado vestígios de um segundo Stonehenge nas proximidades do famoso monumento pré-histórico, em Inglaterra.
As enormes 25 pedras que constituíam o monumento agora descoberto na margem ocidental do rio Avon desapareceram há milhares de anos mas, segundo oThe Guardian, o tamanho dos buracos em que elas se encontravam indicam que este era um círculo de bluestones (o termo é usado para todas as pedras "estrangeiras" encontradas em Stonehenge, trazidas de zonas situadas a muitos quilómetros de distância). O local agora identificado foi, por isso, baptizado como "Bluestonehenge".
As escavações revelaram o que os arqueólogos pensam ter sido um círculo de pedras com dez metros de diâmetro e rodeado por uma vala. Aqui seria o final de uma avenida entre o rio Avon e Stonehenge. De acordo com os arqueólogos – o projecto é dirigido pelo professor Mike Parker Pearson da Universidade de Sheffield –, a vala exterior em redor das pedras terá sido construída em torno do ano 2400 a.C., mas pontas de setas encontradas no interior do círculo parecem indicar que as pedras podem ter sido colocadas 500 anos antes.

(PÚBLICO) 2009.Out.08

domingo, 11 de outubro de 2009

A HUMANIDADE TEM MAIS 1,4 MILHÕES DE ANOS?



Apresentamos-lhe Ardi, a nova mais antiga antepassada dos homens
(PÚBLICO/P2) 2009.Out.02 | Ana Gerschenfeld
O título pertencia a Lucy, a "mulher-símio" fóssil da espécie Australopithecus afarensis. Mas, a partir de hoje, passa para Ardi, uma fêmea de Ardipithecus ramidus, hominídeos ainda mais antigos – e cujo estudo, revela a Science, traz novidades fascinantes e inesperadas acerca da nossa própria evolução
Há muito, muito tempo, a região de Afar, no que é hoje a Etiópia, perto da actual aldeia de Aramis, 230 quilómetros a nordeste da capital Addis Abeba, era um autêntico paraíso. Uma paisagem de floresta esparsa, onde corriam cascatas de água doce, com zonas densamente arborizadas, mas também com grandes extensões de pradaria. Na floresta havia palmeiras, abundavam as figueiras e os lódãos. Era um mundo povoado de caracóis, mochos, papagaios e pavões – e ainda de ratos, morcegos, ouriços-cacheiros, hienas, ursos, porcos, rinocerontes, elefantes, girafas, macacos e antílopes.
Também aí, entre os seus, vivia Ardi, uma fêmea de hominídeo primitivo. Pesava uns cinquenta quilos e media cerca de um metro e vinte. Vivia em grupo, criava os filhos e foi aí que morreu... há 4,4 milhões de anos.
O primeiro fragmento dos seus restos fossilizados – um molar – foi descoberto há 17 anos por Gen Suwa, da Universidade de Tóquio, e anunciado em 1994 na revista Nature. A seguir, entre 1994 e 1997, o resto do esqueleto (só parcialmente recuperado), em mau estado e muito fragilizado e disperso, com o crânio esmagado, foi minuciosamente libertado pelos paleontólogos dos sedimentos onde se encontrava prisioneiro. Mais de 125 fragmentos ósseos de Ardi foram assim postos a nu: crânio, dentes, braços, mãos, pélvis, pernas, pés. E também ossos de pelo menos mais 36 indivíduos da mesma espécie que esta fêmea de Ardipithecus ramidus, deste "símio do chão" (ardi, em Afar, significa "chão"). E ainda milhares de ossos de dezenas de animais e de plantas, que permitiram reconstituir, com um pormenor sem precedentes, o habitat de Ardi e dos seus congéneres.
A recuperação e a análise destes achados demorou 17 anos e centenas de pessoas participaram no projecto. E hoje, uma equipa multidisciplinar de 47 cientistas, oriundos de dez países, publica na revista Science nada menos do que 11 artigos descrevendo os resultados – alguns dos quais põem em causa ideias estabelecidas da história evolutiva dos grandes símios e dos homens.
Remontar às origens
A questão de saber como era o mais recente antepassado comum aos homens e aos grandes símios - e em particular aos chimpanzés, que são geneticamente os mais próximos de nós – é uma questão central da nossa história como espécie e prende-se com coisas como a origem do bipedismo, do crescimento espectacular do cérebro humano, etc. Pensa-se que esse antepassado terá vivido há seis ou mais milhões de anos – o que, diga-se já, exclui à partida a possibilidade de que os hominídeos da espécie Ardipithecus ramidussejam esse antepassado comum, situados nessa bifurcação da árvore evolutiva dos primatas. Mas, mesmo assim, os autores do estudo concluem que Ardi deverá ter sido bastante parecida com esse misterioso antepassado comum – e com certeza mais parecida com ele do que Lucy, o célebre esqueleto fóssil de uma fêmea deAustralopithecus afarensis, uma espécie de homens-símios totalmente bípedes, com um cérebro de pequenas dimensões, que viveu há 3,2 milhões de anos (mais de um milhão de anos depois de Ardi). Até ontem, Lucy, descoberta em 1974 não muito longe de donde foi agora descoberta Ardi, detinha oficialmente, com os seus congéneres, o título de mais antigo antepassado conhecido da espécie humana.
"Ardipithecusé uma forma não especializada que ainda não evoluiu muito em comparação com o Australopithecus", diz num comunicado Tim White, da Universidade da Califórnia e um dos líderes da equipa de cientistas. "E quando olhamos para [Ardi] da cabeça aos pés, o que vemos é uma criatura-mosaico, que não é nem chimpanzé, nem humana."
E é aí que começam as surpresas. Acontece que, até agora, os cientistas concordavam em dizer que os chimpanzés, os gorilas e os outros símios africanos modernos tinham conservado muitas das características físicas daquele último antepassado que partilharam com os humanos – ou seja, pensava-se que o antepassado em questão era muito mais parecido com um chimpanzé, ou com um gorila, do que com um homem. Por outras palavras ainda: enquanto nós tínhamos evoluído imenso desde aquela altura, tornando-nos muito diferentes daquele antepassado comum, os símios actuais tinham evoluído pouco desde então. Ardi vem precisamente pôr em causa essa concepção das coisas.
Pensava-se, por exemplo, que o antepassado comum aos homens e aos chimpanzés teria sido um ágil trepador, conseguindo pendurar-se nos ramos das árvores, baloiçar-se e saltar de árvore em árvore tal como os chimpanzés de hoje. E também que, tal como eles, caminhava apoiado nos nós dos dedos das mãos. Mas não foi nada disso que os investigadores descobriram ao examinarem Ardi. Como explica ainda o comunicado acima referido, quando se encontravam no chão, os hominídeos de Ardipithecus caminhavam erguidos, apoiados nas suas duas pernas (isto é sugerido pela anatomia dos pés). Uma outra ideia estabelecida pode, aliás, estar em causa aqui: a que supõe que o bipedismo dos hominídeos nasceu quando eles se lançaram para espaços mais abertos, para a savana e não quando ainda viviam na floresta. Os Ardipithecus eram "bípedes facultativos", dizem os investigadores.
Um outro elemento surpreendente é que, conforme o que se pôde deduzir da morfologia dos dentes de Ardipithecus, este hominídeo tinha uma dieta diferente dos símios africanos actuais.
Por outro lado, Ardi não parece ter-se deslocado apoiando-se nos nós dos dedos das mãos (é o que indica a anatomia das mãos e dos pulsos, que não possuíam rigidez suficiente para isso). E também não parece ter passado muito tempo a baloiçar-se ou pendurada dos ramos das árvores. Pelo contrário, um dos artigos publicado na Science, dedicado às mãos de Ardi, qualifica-a mesmo de "trepadora prudente", que subia às árvores, disso não há dúvidas, mas que se deslocava de gatas pelos ramos, ajudada pelo polegar oponível dos seus pés.
Se se confirmarem estes dados, isso significa, em particular, que os chimpanzés não são um bom modelo desse misterioso antepassado comum entre eles e nós – e que talvez um melhor modelo sejamos... nós próprios! É o que parece concluir no mesmo artigo sobre as mãos de Ardi a equipa de Owen Lovejoy, da Universidade Estadual do Ohio e também um dos principais investigadores. "Esta descoberta", escrevem na Science, "põe um ponto final a anos de especulação sobre o decorrer da evolução humana. (...) Foram os símios africanos que evoluíram imenso desde os tempos do nosso último antepassado comum, não os humanos nem os seus antepassados hominídeos mais imediatos. As mãos dos primeiros hominídeos eram menos parecidas com as dos símios do que as nossas (...)."
Claro que nem todos os especialistas concordam com a interpretação dos achados e que alguns dos peritos interrogados por uma jornalista da Science, que acompanha a publicação dos resultados, permanecem cépticos. Mas todos acolheram com grande interesse os novos dados e acham que é agora que o debate vai começar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

NEFERTITI


Quem está livre de falsidades?

Busto de Nefertiti pode ser falso
(PÚBLICA) 2009.Maio.09
O busto da rainha egípcia Nefertiti, que está em exposição em Berlim, pode ser falso, segundo a teoria de Henry Stierlin, historiador suíço. O busto, que se pensa ter cerca de 3400 anos, poderá ter sido feito, segundo a investigação de Stierlin, em 1912 por um artista chamado Gerard Marks a mando do arqueólogo Ludwig Borchardt para testar pigmentos egípcios encontrados em escavações, mas que a cópia foi admirada como verdadeira por um membro da realeza alemã e que o arqueólogo não teve coragem de o contrariar. Stierlin diz ainda que algumas características do busto, como o formato dos ombros, estão mais de acordo com o século XIX do que com o Antigo Egipto.

Capela Sistina no Egipto?


Arqueologia
Descoberta em Luxor nova "Capela Sistina"
(PÚBLICO) 2009.Março.18
Uma equipa de arqueólogos es¬panhóis e egípcios descobriu em Luxor (Egipto) aquela a que já cha¬mam uma nova "Capela Sistina", um túmulo datado de 1500 a.C. que pertence a Djehuti, escriba da rai¬nha Hatshepsut. O Projecto Djehu¬ti foi coordenado por José Manuel Galán, do Conselho Superior de In-vestigações Científicas espanhol. A câmara mortuária agora encon¬trada está decorada com textos do Livro dos Mortos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O padre voador a quem a Inquisição cortou as asas


74 anos antes dos irmãos Montgolfier, um balão de ar quente elevava-se perante D. João V, a rainha e o futuro Papa Inocêncio XIII
Neste sábado subiram em Lis¬boa, no Rossio dos Olivais, na Es¬tação Sul e Sueste, no Terreiro do Paço, e nos Jardins Vieira Por¬tuense, em Belém, balões de ar quente transportando adultos e crianças. O que hoje é um mero divertimento ligado à celebração de uma efeméride, há 300 anos foi um feito científico de relevo, levado a cabo, na corte de D. João V, pelo padre jesuíta Barto¬lomeu de Gusmão. Antecipou em 74 anos os aeróstatos dos ir¬mão franceses Montgolfier, consi¬derados os pais da aviação. Ao que o Expresso apurou, o Minis¬tério da Cultura prepara uma ex¬posição itinerante sobre o tema.
Três dias depois de uma expe¬riência mal sucedida, a 8 de Agosto de 1709, um pequeno ba¬lão impulsionado por uma bar¬quinha com fogo levantou da Sa¬la dos Embaixadores, na Casa da Índia, elevando-se até quatro me¬tros de altura. Assistiram à expe¬riência o rei, a rainha Maria Ana e o cardeal Conti, futuro Papa Inocêncio XIII.
Admite-se que nas semanas se¬guintes possa ter havido mais lançamentos de balões, sendo, no entanto, puramente lendário o voo de Bartolomeu de Gus¬mão entre o Castelo de São Jor¬ge e o Terreiro do Paço a bordo de um engenho voador chama¬do 'Passarola', protagonista do episódio-chave de "O Memorial do Convento", de Saramago.
Foi, aliás, ao mitificar o seu próprio feito que o "padre voa¬dor" caiu no descrédito, amplia¬do pelas invejas da corte e pelo obscurantismo da Inquisição. Uma amostra das sátiras em ver¬so com que foi brindado pelos contemporâneos aparecerá no próximo livro do investigador universitário Joaquim Fernan¬des, "Mitos, Mundos e Medos ¬O Céu na Poesia Portuguesa". Inclui versos de Tomás Pinto Brandão, a quem Camilo Caste¬lo Branco chamaria "o pontífice dos poetas biltres do séc. XVIII".
Balão sem mistério
Gusmão falava do uso de "mag¬netes" ou de "quintessências em vaso fechado aquecidas pelo sol" para impulsionar o seu en¬genho voador. Como refere Joa¬quim Fernandes (também au¬tor de "O Grande Livro dos Por¬tugueses Esquecidos"), o inven¬tor português ignorava os traba¬lhos de Newton (1687) sobre a gravitação universal. E para os seus balões não tinha melhor fluido que o ar quente, "já que Cavendish só descobriu a exis¬tência do hidrogénio em 1766".
Gusmão elabora, em 1709, o seu "Manifesto Sumário para Os Que Ignoram Poder-se Navegar pelo Elemento Ar", onde expõe conceitos perfeitamente actuais sobre o uso estratégico do poder aéreo ou o transporte de passa¬geiros e mercadorias pelo ar.
Seria "um estupendo arbítrio que em oito dias poderia man¬dar avisos ao Brasil, em poucos mais à Índia, em três dias a Ro¬ma e em uma hora às fronteiras do Reino".
Na petição apresentada, em 1709, a D. João V, pedindo privi¬légio para o seu invento e que o rei haveria de deferir, expõe ou¬tras vantagens da sua máquina voadora. "Nesse instrumento po¬deriam ser levados avisos às Pra¬ças sitiadas, ser socorridas, tan¬to de gente como de munições e víveres (...) descobrir-se-ão as terras q e ficam debaixo dos Pó¬los do Mundo, por cessarem no Ar os impedimentos que por mar tem havido".
José da Cunha Brochado era menos optimista: "No mesmo tempo em que temos tão poucos homens que saibam andar pelo mar e pela terra, se achou um que quer andar pelo ar..."
Alvo da chacota dos ignoran¬tes que o rodeavam, acaba por partir para a Holanda em 1713, de onde regressa três anos de¬pois. Apesar da protecção de D. João Vede alguns espíritos mais abertos, como o duque do Cadaval e o marquês de Fontes, a sua. ascendência brasileira e mestiça, a proximidade com cris¬tãos-novos que a inquisição viria a perseguir (caso de António Jo¬sé da Silva, dito "o Judeu"), cau-sam-lhe sucessivos problemas que culminam, em Setembro de 1724, com um escândalo envol¬vendo freiras do convento de. Odivelas, próximas da corte.
Segue-se uma aventurosa fuga a pé para Espanha, morrendo de esgotamento e doença em To¬ledo, em 1724. Da sorte dos seus documentos pouco se sabe. Joa¬quim Fernandes admite que um irmão, o diplomata Alexandre de Gusmão, os tenha cedido, em Paris, ao astrónomo português José Soares de Barros, amigo dos irmãos Montgolfier.
Assim, desaparecia aos 39 anos um homem que, como sublinha Joaquim Fernandes, teve o azar de ter chegado a Lisboa demasia¬do cedo. Em Junho de 1784, o sábio Domingos Vandelli, chama¬do pelo marquês de Pombal pa¬ra modernizar a Universidade, mandava lançar em Coimbra uma máquina aerostática.

PERCURSO
• Bartolomeu de Gusmão nasce em Santos, no Brasil, em 1785, ingressando no seminário jesuíta de Belém. Vem pela primeira vez a Portugal em 170, impressionando a Corte com a sua prodigiosa memória
• Regressa a Portugal em 1708, estudando física e matemática em Coimbra. Em 1709 pede a D. João V. apoio para desenvolver "um instrumento para se andar pelo ar da mesma sorte que pela terra e pelo mar". O monarca concede-lhe privilégio em Abril do mesmo ano
• Em 1720 D. João V nomeia-o fidalgo-capelão da Casa Real. Após a fuga para Espanha (1724) o seu nome é apagado dos registos da Academia Real de História

(Expresso) 2009.Agosto.08 | Memória - RUI CARDOSO rcardoso@expresso.impresa.pt

Tratado de Windsor consagra a aliança luso-inglesa


Os plenipotenciários do rei de Portugal, D. João I, e do rei de Inglaterra, Ricardo II, assinaram em Windsor, no dia 9 de Maio de1386.um tratado de aliança. Estipulava que entre os dois reinos existiria "uma liga, amizade e confederação real e perpétua, de maneira que um seria obrigado a prestar auxilio ao outro contra todos os que tentassem destruir o Estado do outro". Contemplava também o incremento do comércio marítimo e a circulação de cidadãos entre os dois países. Era a confirmação do tratado de aliança de1383, em que o Mestre de Aviz obteve apoio inglês na guerra contra Castela. Do lado português, o imperativo era a defesa contra as ambições do país vizinho. Do lado inglês, pesou também a reivindicação do trono de Castela por João de Gaunt, duque de Lencastre, filho de Ricardo II e casado com uma infanta castelhana. Por isso, um dos primeiros efeitos de Windsor é o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, filha de Gaunt, celebrado a 2 de Fevereiro de 1387. Filipa marcará decisivamente a II dinastia, mudando os hábitos da corte e educando exemplarmente os filhos, a "ínclita geração". O Tratado de Windsor passa por ser a mais antiga aliança do mundo ainda em vigor. Por entre muitas vicissitudes, significou "a comunidade de interesses"' entre duas potências marítimas perante as rivais, inicialmente a Espanha e a França. No século XX a aliança voltou a funcionar nas duas guerras mundiais.

(PÚBLICO) 2009.Maio.09