quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

HOMENAGEMA GALILEU


Noite de 7 de Janeiro de 1610
Galileu observou as luas de Júpiter faz hoje 400 anos

Em seis meses, após ter visto referências a uma luneta inventada pelo holandês Hans Lipperhey, Galileu Galilei já tinha aumentado a potência do seu telescópio, o primeiro, em 32 vezes.
Na noite de há 400 anos precisos, o homem que reafirmou as teses de Copérnico, sustentando que a Terra gira em torno do Sol como outros planetas, observou que Júpiter tem luas próprias. Galileu, em honra de quem tem vindo a ser comemorado o Ano Internacional da Astronomia (prolongado até Março deste ano) estudou medicina, mas a sua vida foi dedicada à matemática, física e astronomia. As suas observações, ainda no ano de 1609, desvendaram uma Lua com crateras e montanhas e uma Vénus com fases. Da Via Láctea contestou a ideia de uma mancha de natureza mística para revelar tratar-se de "uma incontrolável multidão de estrelas amontoadas".
Autor de diversos livros, alguns com circulação interdita pelo Index da Igreja Católica, fez experiências e moldou teorias sobre o movimento pendular, o peso e velocidade da queda dos corpos, demonstrando que o ar pesa pouco, mas pesa. A sua concepção do Universo valeu-lhe um processo do Santo Ofício que o remeteu para regime de prisão domiciliária. Só em 1992 a Igreja Católica o "reabilitou". Pressionado a abjurar da defesa das suas ideias, que retiravam à Terra o centro parado do mundo, Galileu terá dito, pouco resignado: "E no entanto ela move-se".
JN, 2009.Jan.07 / Eduarda Ferreira

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SÍMBOLO DE ROMA


A loba de Roma é 1800 anos mais nova

(PÚBLICO) 11.07.2008, Joana Caldeira Martinho

A famosa escultura não é etrusca, mas medieval, dizem os especialistas
Afinal, o símbolo da fundação da cidade de Roma não é assim tão antigo. Testes científicos revelaram que a Lupa Capitolina, a escultura em tamanho real que representa uma loba a amamentar os gémeos Rómulo e Remo (segundo a lenda, os fundadores da cidade), é cerca de 1800 anos mais nova do que se pensava.
A notícia de que a famosa estátua de bronze não foi feita na época etrusca (século V a.C.) como até agora se pensava, mas sim na época medieval, fez a primeira página do diário italiano La Repubblica. Segundo o jornal, os resultados dos testes efectuados garantem que a loba foi criada no século XIII.
De acordo com a BBC, os 20 testes de carbono 14 (método que permite saber a idade de um artefacto) foram feitos pela Universidade de Salerno. A investigação foi anunciada a 28 de Fevereiro de 2007 pelos responsáveis dos Museus Capitolinos, onde a escultura está exposta. Só a 31 de Outubro do mesmo ano se soube que os testes tinham sido efectuados, mas os resultados não foram revelados até anteontem.
O mito
Tal como o Coliseu, a loba é uma das marcas de Roma. Benito Mussolini adoptou a figura da Lupa Capitolina durante o regime fascista, por ser conotada com o imperialismo romano. É o símbolo do Roma, clube de futebol da cidade, e foi usada nos Jogos Olímpicos de 1960, realizados na capital italiana.
O mito conta como os gémeos Rómulo e Remo foram atirados ao rio Tibre e salvos por uma loba, que os criou. Mais tarde, Rómulo assassinou o irmão numa disputa pelo trono da nova cidade e tornou-se o primeiro rei de Roma.
A discussão sobre a origem da estátua remonta ao século XVIII e os especialistas sabiam já que as figuras de Rómulo e Remo tinham sido acrescentadas à escultura da loba, no Renascimento. As representações do mito abundavam na Roma antiga e, segundo relatos do filósofo romano Cícero, uma dessas estátuas teria sido atingida por um raio, no ano de 65 a.C., ficando com uma pata danificada, tal como a estátua actual, segundo o Guardian.
A atribuição da origem etrusca à estátua aconteceu no século XVIII e é da responsabilidade do historiador de arte alemão Johann Winckelmann, que se baseou nas características da representação do pêlo do animal, diz ainda o diário britânico. Mas muitos especialistas duvidaram desta tese, atribuindo as características da escultura à época medieval e afirmando que a pata danificada se devia a um defeito de fabrico, explica o La Repubblica.
Em 2006, Anna Maria Carruba, historiadora de arte que colaborou na restauração da estátua entre 1997 e 2000, afirmou que a loba tinha sido fundida como uma única peça, num molde de cera, uma técnica utilizada na Idade Média e desconhecida antes dessa época, de acordo com a BBC.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E os dentistas doutras eras?

Só por curiosidade,

Dentistas de há 6000 anos

Os dentes postiços, o tratamento dos dentes cariados e as dentaduras completas não são, de modo algum, invenções modernas. Há seis mil anos, talvez muito antes de ter aparecido a civilização grega, a arte dos dentistas havia chegado a um alto grau de perfeição. Já Cícero no seu tratado «De Natura Deorum», atribui a invenção de tirar os dentes a Esculápio, terceiro deste nome. Segundo o «British Medical Joumal», a primeira menção que nos livros antigos se faz das doenças dos dentes, encontra-se em Hipócrates, que trata extensamente da dor de dentes em várias partes dos seus escritos. Os etruscos conheceram também a arte de arrancar dentes, que parece terem aprendido dos fenícios. No congresso internacional celebrado em Roma, em 1900, apresentou o professor Guerini vários instrumentos antigos que provam que na Itália se praticava, há já muitos séculos, cousa muito semelhante à ponte dental.

in Correio da Manhã, 20.Julho.1987

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Ainda NEFERTITI

Há meses, alguém colcou a hipótese de o busto de Nefertiti ser falso. No entanto, verdadeiro ou falso, o Egipto quer o seu regresso:

Egipto exige a Berlim o regresso de Nefertiti
(PÚBLICO) 2009.Out.20
O Egipto pediu pela primeira vez à Alemanha a devolução do busto da rainha Nefertiti, a principal peça do Neues Museum de Berlim, reinaugurado na sexta-feira pela chanceler, Angela Merkel. O busto, com 3300 anos, está na Alemanha desde 1913. Um responsável egípcio do património, Zahi Hawass, disse estar convencido de que a estátua saiu ilegalmente do país, uma versão que é rejeitada por peritos alemães, diz o diário The New York Times.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Leonardo Da Vinci continua a surpreender


Novo retrato de Da Vinci
Descoberto novo quadro de Leonardo da Vinci
13.10.2009 - 10h07 PÚBLICO
Peritos de arte acreditam ter encontrado um novo quadro do pintor italiano Leonardo da Vinci, devido à descoberta de uma impressão digital com 500 anos.
O pequeno retrato, de uma jovem mulher em perfil, foi previamente considerado como um trabalho alemão do início do século XIX e encontra-se actualmente nas mãos de um particular. No entanto, um crescente número de estudiosos sobre o pintor concordam que o quadro é representativo da Renascença, pois tem a sua marca.
A análise, por carbono e infravermelhos, das técnicas de Leonardo da Vinci apoiam as teorias de que o quadro é do pintor e que se insere no período da Renascença. Se os estudiosos estiverem correctos será o primeiro grande trabalho de Leonardo da Vinci a ser identificado em 100 anos e valerá dezenas de milhões de euros.
A impressão digital foi descoberta no topo esquerdo do quadro, por Peter Paul Biro, um perito em arte forense, através de uma câmara revolucionária multi-espectral. Biro afirma à “Antiques Trade Gazette”, uma revista sobre arte, que a marca é "altamente comparável” a uma impressão digital do pintor no quadro São Jerónimo no Vaticano.
Na revista é revelado ainda que a análise por infravermelhos mostrou um estilo paralelo ao do retrato de Da Vinci, de uma mulher em perfil, que se encontra no castelo de Windsor, em Inglaterra.
Desenhados a tinta e giz o vestuário da bela jovem e o penteado reflectem a Moda de Milão dos finais do século XV e, a análise a carbono é consistente com a data, refere a revista.
A última vez que esteve à venda, em finais dos anos 90 na Christie's de Nova Iorque, o quadro foi comprado por um coleccionador canadiano por 19 mil dólares. O retrato deverá estar em exibição no próximo ano, na Suécia.
Se o quadro for mesmo de Leonardo da Vinci será a sua única obra feita sobre o pergaminho.

TGV em causa (?)

Agora que as campanhas eleitorais ficaram para trás, vamos «interpretar» o iberismo de alguns, o isolacionismo de outros e as dúvidas de muitos...

A vingança de Manuela Ferreira Leite (Comentário)
(PÚBLICO) 2009.Set.15 | Carlos Cipriano
No princípio, o reino de Portugal começou por construir o caminho-de-ferro de Lisboa a Elvas, numa linha onde algures num ponto chamado Entroncamento partiria um ramal para o Porto. E assim foi. O comboio chegou primeiro a Badajoz em 1863, mas de Lisboa ao Porto só viria a haver comboios directos em 1877 com a inauguração da Ponte de Maria Pia.
A prioridade foi sempre a de ligar os portos a Espanha e por isso tudo se fez para romper as linhas em direcção à fronteira. Enquanto a Linha do Norte foi construída aos soluços, a da Beira Alta (1882), que ligaria Figueira da Foz a Vilar Formoso, foi feita em quatro anos (um tempo recorde para a época) e pôs o Porto em polvorosa a clamar por uma linha directa a Espanha pelo vale do Douro. Fez-se então a linha do Porto a Barca de Alva (1887), após um investimento brutal que levaria a praça financeira da Invicta à falência, ficando os seus bancos impedidos de cunhar moeda - um caso que ficou para a História como a "Salamancada".
Mais a sul, em 1880 era inaugurado o ramal de Cáceres (Torre das Vargens a Beirã/Marvão) que constituía um bom atalho para Madrid. O objectivo era chegar aos fosfatos da zona de Cáceres, que seriam escoados para o Porto de Lisboa, mas a nova linha revelou-se outro fiasco porque o filão esgotou rapidamente. Além das amortizações de um investimento inútil, a Real Companhia dos Caminhos-de-Ferro assumiu então encargos que a obrigaram a pagar as obras de conservação da estação madrilena de Delícias.
Enquanto isto, Espanha construía um eixo ferroviário desde Vigo até Ayamonte que contornava a fronteira portuguesa. Era a "cintura de ferro", como ficou conhecida. De resto, em Badajoz e em Vilar Formoso, durante vários anos, havia linha desde Lisboa, mas não havia continuação para Madrid porque os espanhóis tardaram em ligar-se às fronteiras.
Portugal construiu, pois, a sua rede ao sabor dos interesses espanhóis. E também foram eles os primeiros a fechar as poucas ligações à fronteira quando nos finais do século XX se tornou moda encerrar linhas de caminho-de-ferro: desmantelaram a linha de Huelva a Ayamonte e foram os primeiros a fechar La Fregeneda quando o comboio ainda apitava em Barca de Alva.
Mais recentemente, em 1998, a Refer inaugura a electrificação da Linha da Beira Alta até Vilar Formoso. Mas a Espanha, apesar dos compromissos assumidos na cimeira da Figueira da Foz em 2003 e de já ter um projecto terminado, nunca avançou com as obras de electrificação até à fronteira lusa.
E quando nos alvores do século XXI se começa a falar no TGV, Portugal começou por querer fazer uma linha Lisboa-Porto-Madrid (T deitado) para se opor ao centralismo do país vizinho. Mas acabaria por se conformar com uma linha directa de Lisboa a Madrid. Com prioridade para a primeira, claro. Tal como no século XIX.
Ferreira Leite, se for eleita, diz que não senhor. Explica que as motivações são financeiras. Mas sabe-se lá se não quererá acertar contas com a História.

Arqueólogos encontram novo Stonehenge

Arqueólogos acreditam ter encontrado vestígios de um segundo Stonehenge nas proximidades do famoso monumento pré-histórico, em Inglaterra.
As enormes 25 pedras que constituíam o monumento agora descoberto na margem ocidental do rio Avon desapareceram há milhares de anos mas, segundo oThe Guardian, o tamanho dos buracos em que elas se encontravam indicam que este era um círculo de bluestones (o termo é usado para todas as pedras "estrangeiras" encontradas em Stonehenge, trazidas de zonas situadas a muitos quilómetros de distância). O local agora identificado foi, por isso, baptizado como "Bluestonehenge".
As escavações revelaram o que os arqueólogos pensam ter sido um círculo de pedras com dez metros de diâmetro e rodeado por uma vala. Aqui seria o final de uma avenida entre o rio Avon e Stonehenge. De acordo com os arqueólogos – o projecto é dirigido pelo professor Mike Parker Pearson da Universidade de Sheffield –, a vala exterior em redor das pedras terá sido construída em torno do ano 2400 a.C., mas pontas de setas encontradas no interior do círculo parecem indicar que as pedras podem ter sido colocadas 500 anos antes.

(PÚBLICO) 2009.Out.08