quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Capela Sistina no Egipto?


Arqueologia
Descoberta em Luxor nova "Capela Sistina"
(PÚBLICO) 2009.Março.18
Uma equipa de arqueólogos es¬panhóis e egípcios descobriu em Luxor (Egipto) aquela a que já cha¬mam uma nova "Capela Sistina", um túmulo datado de 1500 a.C. que pertence a Djehuti, escriba da rai¬nha Hatshepsut. O Projecto Djehu¬ti foi coordenado por José Manuel Galán, do Conselho Superior de In-vestigações Científicas espanhol. A câmara mortuária agora encon¬trada está decorada com textos do Livro dos Mortos.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O padre voador a quem a Inquisição cortou as asas


74 anos antes dos irmãos Montgolfier, um balão de ar quente elevava-se perante D. João V, a rainha e o futuro Papa Inocêncio XIII
Neste sábado subiram em Lis¬boa, no Rossio dos Olivais, na Es¬tação Sul e Sueste, no Terreiro do Paço, e nos Jardins Vieira Por¬tuense, em Belém, balões de ar quente transportando adultos e crianças. O que hoje é um mero divertimento ligado à celebração de uma efeméride, há 300 anos foi um feito científico de relevo, levado a cabo, na corte de D. João V, pelo padre jesuíta Barto¬lomeu de Gusmão. Antecipou em 74 anos os aeróstatos dos ir¬mão franceses Montgolfier, consi¬derados os pais da aviação. Ao que o Expresso apurou, o Minis¬tério da Cultura prepara uma ex¬posição itinerante sobre o tema.
Três dias depois de uma expe¬riência mal sucedida, a 8 de Agosto de 1709, um pequeno ba¬lão impulsionado por uma bar¬quinha com fogo levantou da Sa¬la dos Embaixadores, na Casa da Índia, elevando-se até quatro me¬tros de altura. Assistiram à expe¬riência o rei, a rainha Maria Ana e o cardeal Conti, futuro Papa Inocêncio XIII.
Admite-se que nas semanas se¬guintes possa ter havido mais lançamentos de balões, sendo, no entanto, puramente lendário o voo de Bartolomeu de Gus¬mão entre o Castelo de São Jor¬ge e o Terreiro do Paço a bordo de um engenho voador chama¬do 'Passarola', protagonista do episódio-chave de "O Memorial do Convento", de Saramago.
Foi, aliás, ao mitificar o seu próprio feito que o "padre voa¬dor" caiu no descrédito, amplia¬do pelas invejas da corte e pelo obscurantismo da Inquisição. Uma amostra das sátiras em ver¬so com que foi brindado pelos contemporâneos aparecerá no próximo livro do investigador universitário Joaquim Fernan¬des, "Mitos, Mundos e Medos ¬O Céu na Poesia Portuguesa". Inclui versos de Tomás Pinto Brandão, a quem Camilo Caste¬lo Branco chamaria "o pontífice dos poetas biltres do séc. XVIII".
Balão sem mistério
Gusmão falava do uso de "mag¬netes" ou de "quintessências em vaso fechado aquecidas pelo sol" para impulsionar o seu en¬genho voador. Como refere Joa¬quim Fernandes (também au¬tor de "O Grande Livro dos Por¬tugueses Esquecidos"), o inven¬tor português ignorava os traba¬lhos de Newton (1687) sobre a gravitação universal. E para os seus balões não tinha melhor fluido que o ar quente, "já que Cavendish só descobriu a exis¬tência do hidrogénio em 1766".
Gusmão elabora, em 1709, o seu "Manifesto Sumário para Os Que Ignoram Poder-se Navegar pelo Elemento Ar", onde expõe conceitos perfeitamente actuais sobre o uso estratégico do poder aéreo ou o transporte de passa¬geiros e mercadorias pelo ar.
Seria "um estupendo arbítrio que em oito dias poderia man¬dar avisos ao Brasil, em poucos mais à Índia, em três dias a Ro¬ma e em uma hora às fronteiras do Reino".
Na petição apresentada, em 1709, a D. João V, pedindo privi¬légio para o seu invento e que o rei haveria de deferir, expõe ou¬tras vantagens da sua máquina voadora. "Nesse instrumento po¬deriam ser levados avisos às Pra¬ças sitiadas, ser socorridas, tan¬to de gente como de munições e víveres (...) descobrir-se-ão as terras q e ficam debaixo dos Pó¬los do Mundo, por cessarem no Ar os impedimentos que por mar tem havido".
José da Cunha Brochado era menos optimista: "No mesmo tempo em que temos tão poucos homens que saibam andar pelo mar e pela terra, se achou um que quer andar pelo ar..."
Alvo da chacota dos ignoran¬tes que o rodeavam, acaba por partir para a Holanda em 1713, de onde regressa três anos de¬pois. Apesar da protecção de D. João Vede alguns espíritos mais abertos, como o duque do Cadaval e o marquês de Fontes, a sua. ascendência brasileira e mestiça, a proximidade com cris¬tãos-novos que a inquisição viria a perseguir (caso de António Jo¬sé da Silva, dito "o Judeu"), cau-sam-lhe sucessivos problemas que culminam, em Setembro de 1724, com um escândalo envol¬vendo freiras do convento de. Odivelas, próximas da corte.
Segue-se uma aventurosa fuga a pé para Espanha, morrendo de esgotamento e doença em To¬ledo, em 1724. Da sorte dos seus documentos pouco se sabe. Joa¬quim Fernandes admite que um irmão, o diplomata Alexandre de Gusmão, os tenha cedido, em Paris, ao astrónomo português José Soares de Barros, amigo dos irmãos Montgolfier.
Assim, desaparecia aos 39 anos um homem que, como sublinha Joaquim Fernandes, teve o azar de ter chegado a Lisboa demasia¬do cedo. Em Junho de 1784, o sábio Domingos Vandelli, chama¬do pelo marquês de Pombal pa¬ra modernizar a Universidade, mandava lançar em Coimbra uma máquina aerostática.

PERCURSO
• Bartolomeu de Gusmão nasce em Santos, no Brasil, em 1785, ingressando no seminário jesuíta de Belém. Vem pela primeira vez a Portugal em 170, impressionando a Corte com a sua prodigiosa memória
• Regressa a Portugal em 1708, estudando física e matemática em Coimbra. Em 1709 pede a D. João V. apoio para desenvolver "um instrumento para se andar pelo ar da mesma sorte que pela terra e pelo mar". O monarca concede-lhe privilégio em Abril do mesmo ano
• Em 1720 D. João V nomeia-o fidalgo-capelão da Casa Real. Após a fuga para Espanha (1724) o seu nome é apagado dos registos da Academia Real de História

(Expresso) 2009.Agosto.08 | Memória - RUI CARDOSO rcardoso@expresso.impresa.pt

Tratado de Windsor consagra a aliança luso-inglesa


Os plenipotenciários do rei de Portugal, D. João I, e do rei de Inglaterra, Ricardo II, assinaram em Windsor, no dia 9 de Maio de1386.um tratado de aliança. Estipulava que entre os dois reinos existiria "uma liga, amizade e confederação real e perpétua, de maneira que um seria obrigado a prestar auxilio ao outro contra todos os que tentassem destruir o Estado do outro". Contemplava também o incremento do comércio marítimo e a circulação de cidadãos entre os dois países. Era a confirmação do tratado de aliança de1383, em que o Mestre de Aviz obteve apoio inglês na guerra contra Castela. Do lado português, o imperativo era a defesa contra as ambições do país vizinho. Do lado inglês, pesou também a reivindicação do trono de Castela por João de Gaunt, duque de Lencastre, filho de Ricardo II e casado com uma infanta castelhana. Por isso, um dos primeiros efeitos de Windsor é o casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, filha de Gaunt, celebrado a 2 de Fevereiro de 1387. Filipa marcará decisivamente a II dinastia, mudando os hábitos da corte e educando exemplarmente os filhos, a "ínclita geração". O Tratado de Windsor passa por ser a mais antiga aliança do mundo ainda em vigor. Por entre muitas vicissitudes, significou "a comunidade de interesses"' entre duas potências marítimas perante as rivais, inicialmente a Espanha e a França. No século XX a aliança voltou a funcionar nas duas guerras mundiais.

(PÚBLICO) 2009.Maio.09

sábado, 4 de julho de 2009

Capela no Vaticano - Descoberto retrato de Miguel Ângelo


Um auto-retrato do génio do Renascimento, Miguel Ângelo, foi descoberto na Capela Paulina do Vaticano no decurso de uma restauração recente. Segundo o responsável para a restauração dos museus do Vaticano, Maurizio De Luca, no fresco Crucificação de São Pedro, o pintor aparece no canto esquerdo de turbante azul e ar "autoritário" perto dos três romanos que acompanham a crucificação.

(in PÚBLICO, 2009.Julho.03)

terça-feira, 30 de junho de 2009

UNESCO distingue a primeira cidade europeia nos trópicos


Cidade Velha de Cabo Verde é um dos 16 novos sítios Património da Humanidade. É uma estreia deste país africano de expressão portuguesa. Mas a intervenção arquitectónica aí em curso, de Siza Vieira e Helena Albuquerque, tem sido principalmente paga por espanhóis

A Cidade Velha de Cabo Verde é a única presença africana - e tem expressão portuguesa - na lista dos novos sítios classificados pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), na 33.ª sessão do comité do Património da Humanidade que decorreu na última semana em Sevilha, Espanha, e que hoje termina.
A organização avaliou 27 candidaturas e aprovou 11 novos sítios culturais e dois naturais, além da extensão de três outros. Em contrapartida, excluiu o vale do Elba em Dresden, na Alemanha (classificado em 2004), por considerar que o projecto de construção de uma ponte rodoviária no centro da cidade contraria os requisitos da UNESCO. Simultaneamente, entraram agora para a lista do património em risco os monumentos de Mtskhata, na Geórgia, a rede de recifes de Belize e o parque nacional Los Katios, na Colômbia.
A Cidade Velha, na ilha de Santiago, foi fundada em 1462 pelos portugueses segundo "um plano de urbanização ocidental decorrente do modelo renascentista", diz Paulo Pereira, historiador de arte, e foi mesmo "a primeira cidade colonial construída pelos europeus nos trópicos", acrescenta a nota da UNESCO. Foi ainda um importante entreposto comercial e de tráfico de escravos, afirma Paulo Pereira.
A presente classificação (que vem acrescentar-se à recente votação como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo) veio trazer para a ordem do dia o estado do plano de recuperação patrimonial que para aí foi projectado pelos arquitectos Álvaro Siza Vieira e Helena Albuquerque, há uma década - e que foi tema do documentário, realizado por Catarina Alves Costa, O Arquitecto e a Cidade Velha (2004).
Helena Albuquerque, que viveu vários anos em Cabo Verde, diz-se satisfeita pelo significado que esta classificação tem para a população local. Mas - na ausência de Siza Vieira e falando apenas a título pessoal - lamenta que a intervenção e a cooperação portuguesas relativas ao plano arquitectónico e urbanístico "estejam paradas", e que os trabalhos até agora realizados tenham sido na sua maior parte "subsidiados pelos espanhóis", que aí quiseram preservar a acção desenvolvida no tempo dos Felipes. E cita, em particular, a construção da pousada e a recuperação da fortaleza e do Mosteiro de S. Francisco. "É uma enorme frustração ver que o Governo português não tenha dado sequência a esta intervenção", que Helena Albuquerque considera que seria "prioritária, e teria um custo reduzido", para a melhoria das condições de vida da comunidade local, que vai pouco além dos mil habitantes.
Um farol da humanidade
"O mundo diz-nos que sim, que o nosso farol é de toda a humanidade." A afirmação do alcaide socialista da Corunha, Javier Losada, ontem citada pelo El País, celebra a entrada na lista do mais antigo farol em todo o mundo ainda em actividade, conhecido como Torre de Hércules e ex libris desta cidade-porto da Galiza. É uma construção do século I, que faz da Espanha, agora com 40 sítios classificados, o segundo país mais citado na lista da UNESCO, logo a seguir a Itália.
A restante lista distingue mais nove complexos culturais e dois sítios naturais. Estes são o mar de Wadden, que banha a Alemanha e a Holanda e é um ecossistema temperado com uma multiplicidade de habitats naturais; e os montes Dolomitas, uma cadeia nos Alpes italianos que tem 18 picos com mais de 3000 metros de altitude.
Os sítios culturais são: o palácio Stoclet, em Bruxelas, um projecto de 1905 do arquitecto Josef Hoffmann, que foi construído para o banqueiro e coleccionador Adolphe Stoclet; as ruínas de Loropéni, no Burkina Faso, uma fortificação em pedra na região de Lóbi, na rota subsariana do ouro; o monte Wutai, no Norte da China, um complexo de mais de 50 mosteiros e que é uma dos lugares sagrados do budismo; o sistema hidráulico de Shushtar, no Irão, mandado construir por Dario, o Grande (séculos V e IV a.C.), uma rede de canais no rio Kârun, um dos quais ainda fornece água à cidade de Shushtar; a montanha sagrada de Sulamain-Too, no Quirguistão, no cruzamento da rota da seda na Ásia Central; a cidade sagrada de Caral-Supe, no Peru, um sítio arqueológico com 5000 anos que é a mais antiga cidade do género nas Américas; os túmulos reais da dinastia Joseon, na Coreia do Sul, um complexo de 40 sepulturas construídas em 18 sítios diferentes; a ponte-canal e o canal de Pontcysyllte, no Nordeste do País de Gales, construídos no século XIX, com uma extensão de 18 quilómetros e que é a expressão do génio civil da Revolução Industrial; e La Chaux-de-Fonds/Le Locle, duas cidades vizinhas nos montes do Jura, na Suíça, urbanizações do século XIX planificadas com o objectivo da servir a indústria relojoeira.

in (PÚBLICO) 30.06.2009, Sérgio C. Andrade

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Na Índia, Marrocos, Cabo Verde, Macau e Brasil moram as 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo

Costuma dizer-se que a primeira globalização foi a portuguesa e essa universalidade está bem patente nos monumentos anunciados ontem à noite, numa gala em Portimão, como as 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Fortaleza de Diu (Índia), Fortaleza de Mazagão (Marrocos), Basílica do Bom Jesus de Goa (Índia), Cidade Velha de Santiago (Cabo Verde), Igreja de São Paulo (Macau), Convento de São Francisco de Assis da Penitência (Ouro Preto, Brasil) e Convento de São Francisco e Ordem Terceira (Salvador da Baía, Brasil) foram as eleitas, em representação dos três continentes - América, África e Ásia - que fizeram a história da expansão marítima portuguesa. Na votação participaram 239.418 pessoas, que puderam votar pela Internet, telefone e SMS.O critério adoptado na identificação dos monumentos a concurso - 27 em 16 diferentes países - consistia no seu valor histórico e patrimonial. Cerca de duas mil pessoas assistiram ontem à declaração oficial dos vencedores, na Arena de Portimão, entre elas o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, em representação do Governo português. Na gala actuaram vários nomes da música como Daniela Mercury, Maria João, Boss AC, Paulo Gonzo, Ricardo Ribeiro e Rabih Abou-Khali, Rui Veloso e Tito Paris. Relevar a presença de Portugal no mundo e projectar uma ideia cosmopolita do país eram, segundo a organização da New 7 Wonders, os objectivos da cerimónia. No final do espectáculo foi anunciada a realização de mais uma iniciativa do género, as 7 Maravilhas Naturais de Portugal, cuja declaração oficial será em 2010, nos Açores.As 7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo foram criadas no contexto da declaração oficial das Novas 7 Maravilhas do Mundo, que aconteceu em Lisboa há dois anos. Nessa altura, em paralelo, foi organizada a eleição das 7 Maravilhas de Portugal, numa votação que envolveu cerca de 350 mil portugueses. Dos 21 monumentos que foram a votação, os escolhidos foram o Mosteiro de Alcobaça, o Mosteiro dos Jerónimos, o Palácio da Pena, o Mosteiro da Batalha, o Castelo de Óbidos, a Torre de Belém e o Castelo de Guimarães. 239 mil Na votação participaram 239.418 pessoas. Agora seguem--se, em 2010, as 7 Maravilhas Naturais de Portugal
in PÚBLICO 11.06.2009, Vítor Belanciano

Monumento em Ponte de Lima evoca lenda do Lethes

No dia em que Ponte de Lima revive a secular tradição da Vaca das Cordas, a câmara municipal inaugura, em ambas as margens do rio Lima, mesmo em frente à vila, um conjunto escultórico, evocativo da lenda do rio Lethes, rio do Esquecimento. As estátuas, com assinatura dos artistas plásticos Salvador Viera e Mário Rocha, pretendem perpetuar a passagem do general romano Decius Junius Brutus, e das suas tropas, por Ponte de Lima, no ano 135 a.C.
O episódio chegou aos nossos dias pelas palavras, por exemplo, de Almada Negreiros: "Comandadas por Decius Junius Brutus, as hostes romanas atingiram a margem esquerda do Lima no ano 135 a.C. A beleza do lugar as fez julgarem-se perante o lendário rio Lethes, que apagava todas as lembranças da memória de quem o atravessasse. Os soldados negaram-se a atravessá-lo. Então, o comandante passou e, da outra margem, chamou a cada soldado pelo seu nome. Assim lhes provou não ser esse o rio do Esquecimento." O monumento que reproduz a figura do comandante romano vai ficar instalado na margem direita do Lima,e o dos soldados no areal da margem esquerda. Ambos são em ferro e granito, e maiores do que o tamanho real.
in (PÚBLICO) 10.06.2009, Andrea Cruz